
A Polícia Federal está investigando Willian Barille, conhecido como o “concierge do PCC”, por sua suposta liderança em uma rede internacional de tráfico de drogas. De acordo com uma reportagem do Fantástico, Barille teria facilitado operações do Primeiro Comando da Capital (PCC) e mantido conexões com a máfia italiana, movimentando cerca de R$ 2 bilhões no sistema financeiro brasileiro.
Uma das principais evidências contra Barille é o uso de aviões particulares para transportar grandes quantidades de cocaína para a Europa. Em uma operação monitorada, uma aeronave partiu de São Luís, Maranhão, com destino a Bruxelas, na Bélgica, carregando quase uma tonelada da droga. Mensagens interceptadas entre os envolvidos indicaram que o piloto enfrentou dificuldades na decolagem devido ao peso da carga.
A investigação, que começou em 2020, conta com o apoio do Ministério Público e autoridades italianas. Agentes da PF tiveram acesso a comunicações secretas de traficantes através do aplicativo criptografado SKYECC, utilizado para manter conversas sigilosas.
Barille é considerado um dos principais operadores financeiros do PCC, possuindo nove empresas que, segundo as autoridades, eram usadas para lavagem de dinheiro. Ele tinha sociedade com Edmilson de Meneses, conhecido como “Grilo”, que também fazia parte da facção e faleceu em 2023. Juntos, eles utilizavam o porto de Paranaguá, Paraná, como ponto estratégico para o envio de drogas à Europa. Mensagens interceptadas ainda sugerem que Barille estava envolvido em um plano para facilitar a fuga de Gilberto Aparecido dos Santos, o “Fuminho”, aliado de Marcos Camacho, o “Marcola”, líder do PCC.
Em dezembro de 2023, a PF deflagrou uma operação com mandados de busca e apreensão em 31 locais associados a Barille, incluindo uma mansão em um condomínio de luxo na Grande São Paulo e uma residência em Florianópolis. Após mais de um mês foragido, Barille se entregou à Justiça em janeiro deste ano.
A defesa de Barille nega todas as acusações, afirmando que ele nunca utilizou o aplicativo criptografado e que não esteve envolvido em atividades de tráfico de drogas. Enquanto aguarda julgamento, Barille permanece preso e à disposição da Justiça. A investigação continua em andamento, com a expectativa de mais desdobramentos.


