
Durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta semana, o ministro Flávio Dino expôs publicamente mensagens anônimas com ameaças e ofensas graves recebidas por meio da ouvidoria da Corte. As declarações geraram forte repercussão e acenderam o alerta para o aumento dos ataques direcionados a autoridades e instituições democráticas no Brasil.
Ao fazer a leitura do conteúdo ofensivo, o ministro relatou que foi chamado de “canalha” e “rocambole do inferno”, além de ser acusado falsamente de envolvimento em atos políticos nos anos 1980, quando ainda era criança. “Eu tinha 11 anos e posso garantir que estava jogando bola, brincando de carrinho”, ironizou Dino, ao rebater as acusações contidas na mensagem.
Em outro trecho do ataque, o autor anônimo incita a violência contra o ministro: “Um cara como você tem que apanhar de murro por cima da cara, arrancar dente por dente da tua boca. É na porrada. Bastam cem homens aí em Brasília, invadem o STF e expulsam”.
Flávio Dino afirmou ter levado o caso à sessão para ilustrar o que chamou de “espírito do tempo” — um reflexo do clima de intolerância, ódio e ameaças que se intensificaram no ambiente político e institucional brasileiro nos últimos anos. O ministro também voltou a defender a importância da segurança institucional e da preservação do Estado Democrático de Direito.
As mensagens, apesar de anônimas, podem ser alvo de investigação da Polícia Federal, uma vez que configuram possíveis crimes de ameaça e incitação à violência. O caso levanta ainda a necessidade de revisão dos canais institucionais de comunicação para evitar o uso indevido em práticas de discurso de ódio.


