Deputado do MA nomeou assessor com mandado de prisão em aberto

 

A nomeação de secretários parlamentares com mandado de prisão em aberto na Câmara dos Deputados levanta sérias questões sobre as falhas no processo de contratação e a falta de integração entre os órgãos públicos. Uma investigação da Folha de S. Paulo revelou que três assessores comissionados, um deles ligado ao deputado federal Josivaldo JP (PSD-MA), exerciam suas funções normalmente, mesmo com pendências judiciais ativas.

A reportagem do jornal realizou um cruzamento de dados entre a lista de mais de 11 mil funcionários da Câmara e o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), identificando 240 nomes com mandados de prisão pendentes. Essa situação expõe uma vulnerabilidade na forma como o poder público contrata, permitindo que pessoas com problemas judiciais ocupem cargos estratégicos e recebam salários com dinheiro público sem serem detectadas.

Ao ser procurado, o deputado Josivaldo JP informou que o assessor foi imediatamente exonerado após a revelação. O mesmo aconteceu com o deputado Dagoberto Nogueira (PSDB-MS), que também teve um de seus secretários comissionados nomeados em situação irregular.

A Câmara dos Deputados admitiu a falta de integração entre seu sistema de cadastro de servidores e o BNMP. Em nota, a Casa Legislativa justificou que a legislação atual não exige a consulta de antecedentes criminais para a nomeação de cargos em comissão. A única exigência legal é que o nomeado esteja no pleno gozo de seus direitos políticos, condição que, segundo a nota, só é afetada após uma condenação criminal definitiva.

Apesar da legalidade apontada pela Câmara, o episódio destaca a necessidade de um debate urgente sobre a segurança e a transparência nas contratações do setor público. A falha na comunicação entre as bases de dados do Legislativo e do Judiciário coloca em xeque a integridade do processo e a confiança da população. É fundamental que se discuta a criação de mecanismos mais robustos para evitar que casos como esse se repitam.

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