/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/z/C/sYtcaGSIS9ddiSrk20kg/115195790-perus-presidential-candidate-keiko-fujimori-for-the-fuerza-popular-party-waves-after-a-sp.jpg)
A candidata de direita Keiko Fujimori (Força Popular) está prestes a vencer o segundo turno das eleições presidenciais do Peru nesta quarta-feira, tendo consolidado uma vantagem sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez que não pode mais ser revertida na contagem final. Após ser derrotada em três eleições consecutivas, a filha do autocrata Alberto Fujimori construiu uma campanha vencedora impulsionada por promessas de combate à criminalidade crescente no país — e superar um cenário de instabilidade que levou o país a ter nove presidentes em 10 anos.
Com 99,86% das urnas apuradas, Keiko tem 50,118% dos votos, contra 49,882% de Sánchez, de acordo com dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) — com pouco mais de 43 mil votos a frente do adversário, em um universo de mais de 19 milhões de votos contabilizados. A diferença entre os dois não pode mais ser revertida, pois ainda restam 39.300 votos a serem apurados em 131 seções eleitorais. O segundo turno foi realizado em 7 de junho.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/x/f/QUDpF6SV6PHAalT57BQA/115195792-perus-presidential-candidate-roberto-sanchez-for-the-juntos-por-el-peru-party-gives-a-spe.jpg)
A disputa é entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez
Apesar da vantagem irreversível, o caminho até o anúncio oficial pode ter percalços. O candidato de oposição afirmou ainda na terça-feira que não irá reconhecer uma vitória de Keiko — o que contrasta com a promessa de campanha de respeito à democracia — e convocou aliados para uma marcha em seu apoio. Sánchez denunciou uma “fraude em andamento”.
Uma delegação da União Europeia observou que o segundo turno transcorreu de maneira “calma e ordenada”, em meio a uma campanha polarizada. O partido de Keiko indicou que aguardará a apuração de 100% dos votos antes de declarar vitória.
Votos no exterior
Sánchez apresentou um pediu de anulação dos votos computados no exterior no acirrado segundo turno — uma medida que poderia afetar cerca de 300 mil votos em um momento em que a contagem oficial mostra uma vantagem estreita para Keiko.
“Protocolamos um pedido formal de anulação para que o Júri Nacional de Eleições declare a nulidade das eleições realizadas nas 119 repartições consulares”, afirmou Sánchez na rede social X. “O processo eleitoral foi seriamente comprometido por modificações introduzidas a pedido do Poder Executivo (o Ministério das Relações Exteriores), especificamente em relação ao segundo turno presidencial”, acrescentou o candidato, sem apresentar provas.
Sánchez alega irregularidades administrativas e de custódia por parte do órgão eleitoral em relação aos votos do exterior. O candidato sustenta que, se os votos computados fora do país forem excluídos, ele teria uma vantagem de aproximadamente 25 mil votos sobre sua rival.
O segundo turno colocou frente a frente a filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000) e Sánchez, herdeiro político do ex-líder Pedro Castillo, que está preso após uma tentativa fracassada de autogolpe em 2022. Esta é a quarta vez que Fujimori concorre à presidência, enquanto para Sánchez é a primeira tentativa. O vencedor substituirá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho, assumindo um mandato de cinco anos.
Dinastia Fujimori?
Alberto Fujimori conduziu o Peru durante a turbulenta década de 1990, derrotando a guerrilha maoísta Sendero Luminoso e controlando a hiperinflação. Mais tarde, porém, caiu em desgraça, foi para o exílio e acabou preso por corrupção e crimes contra a humanidade — o que não considerou parte dos crimes atribuídos a ele, como uma campanha de esterilização de mulheres campesinas, denunciada há anos por grupos peruanos.
Como legado, o nome Fujimori por décadas ajudou e ao mesmo tempo perseguiu Keiko. Ao passo que proporcionou reconhecimento imediato, eleitores fiéis e amplas redes políticas, ofereceu em mesma medida muitos críticos.
— Tenho saudades dele — disse Keiko a AFP em entrevista em abril. — Mas, por onde passo, as pessoas se lembram dele e me contam histórias.
Milhões de peruanos guardam lembranças sombrias de seu pai e se recusam a votar em qualquer pessoa que carregue o sobrenome Fujimori, o que bloqueou seu caminho à presidência em três ocasiões.
— Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos antifujimoristas — afirmou Keiko, fazendo apenas uma exceção para Alan García. — Todos os outros se concentraram em insultos e em gerar ódio e divisão entre os peruanos.
A campanha presidencial de 2026 foi a primeira em que Keiko concorreu sem a presença do pai, que morreu em 2024. Com a criminalidade figurando como a principal preocupação dos eleitores, Keiko apostou no legado paterno resumido em uma única palavra: “ordem”.
— Acredito que os peruanos querem um Fujimori — declarou. E aqui estou.
Críticos atribuem a ela e ao seu partido parte significativa da instabilidade política do Peru, citando a forte influência e as articulações da legenda Força Popular no Congresso.
O Globo Com AFP


